Eu fui nesse show. Isso aconteceu na minha frente – eu, ali no cantinho da segunda fila, e Joanna Newsom. E a harpa, meu deus, a harpa, que devia até ser grafada com “h” maiúsculo, tal a sumidade da Harpa de Joanna.
Num artigo muito engraçado sobre como estereotipar alguém pelo tipo de música que a pessoa ouve, o flavorwire.com diz que os fãs de Joanna Newsom são “aqueles que já quiseram ser amigos de um esquilo”, e os do Devendra Banhart, “aqueles que já quiseram SER um esquilo”. Tá, mas bobagens à parte, o que me identifica com a americana orelhudinha, cara de caipira, é que todo o universo imagético dela – o poder que as letras têm de te fazer pertencer ali àquele mundo de florestas vastas com pontes, balões, baleias, marinheiros – é muito afinado com a minha noção de estética. São boas letras.
Claro que tem gente que acha a voz dela absolutamente insuportável. Eu não acho. Mas antes de apertar o pause logo de cara no vídeo aí de cima, é bom prestar atenção no poema e na harpa – digo, na Harpa.
E vale atentar que o novo CD da menina sai dia 23 de fevereiro. Como não há chance de eu pôr as mãos em uma edição original dele, baixarei. Desculpe, Joanna, mas é esse mesmo o meu grau de necessidade da sua Harpa na minha vida.
desde que meu tio faleceu e eu ainda não sei o que eu poderia possivelmente dizer sobre o ocorrido. Na verdade eu só queria que ele ficasse bem. E na ausência de coisas pra dizer, uma coleção de imagens bonitas pra pelo menos inspirar bons pensamentos no restinho desse dia de amofinação solitária.
Madrugadas chegando, colunas do Paul Krugman cada vez mais bonitas e as promessas de um 2010 sem tanto bater de cabeça têm me deixado um tanto mais feliz. Estamos bem, estamos ótimos e jamais sentimos menos saudade do que ficou para trás
Toda a vez que alguém me pediu uma sugestão de algo para ler eu sugeri “O Apanhador no Campo de Centeio”. É quase uma regra há algo como cinco ou seis anos, época em que eu tive a sorte de encontrar o livro rolando pelas estantes dos meus pais. E marcou a minha vida em uma época decisiva – antes ter na mente o total inconformismo de Holden Caulfield do que ter a mente formada por qualquer outra porcaria. “O Apanhador no Campo de Centeio” curou muitas dores de cotovelo ao longo das tantas vezes que o reli. Eu e Holden crescemos como irmãos. Sempre lhe ouvi as confissões como a um irmão mais velho. E eis que morre Salinger. O mito, o recluso e todo o resto. Salinger, o pai do meu irmão Holden.
É triste. Não sei muito o que pensar depois disso.
Adeus, Salinger. Aposto que o céu reservado ao senhor é livre das cretinices que tanto incomodavam o Holden.
Em 2010 eu vou controlar as minhas compulsões, ser mais boazinha, não me irritar por coisas idiotas, vou responder pra quem merece, vou me estressar menos, vou fazer yôga e vou aprender espanhol. Pronto, resolvidas quais são todas as minhas resoluções tardias pro ano.
Mesmo estando me aproximando da quinta década da minha vida, me acho uma pessoa bem moderna. Não tenho medo de novas tecnologias e jamais satanizei a mídia. Mas, francamente, há certos inventos que são de uma estupidez de fazer inveja. É o caso do Twitter, que virou febre entre jovens e adultos. Dias atrás, o microblog espalhou pelo mundo uma foto falsa do terremoto do Haiti, que na verdade se tratava de um terromoto de 2008 na China. A gracinha rendeu dor de cabeça a centenas de jornais e sites do mundo inteiro que embarcaram na mensagem postada por algum internauta que provavelmente não tivesse nada o que fazer, um egoísta de plantão, alguem sem nenhum sentimento por uma tragédia que praticamente dizimou um pais. Um imbecil, pra não dizer outra coisa. Pois neste domingo, dia 24 de janeiro de 2010, outro engraçadinho acordou e decidiu matar Johnny Depp num acidente de carro. O maluco inclusive criou uma página fake da CNN mostrando um automóvel trombado, dizendo que o ator – ídolo de milhares de pessoas no mundo, filho de alguém, imão de alguém, marido de alguém e pai de alguém – não estava mais entre nós. Felizmente, Johnny Depp continua vivo, e, se a natureza permitir, até os 90 anos, vendo seus filhos, netos e bisnetos crescerem. O piadista deve estar neste momento recebendo da humanidade uma carga de pensamento negativo que não sei se vai conseguir dormir, aliás, como todo mentiroso. De qualquer modo, seja no caso do Haiti ou na falsa morte de Johnny, está em xeque a utilidade de mais essa interface mundial de divulgação de asneiras. Tenho medo do Twitter e tenho dito!
E agora que tu queres chorar e nenhum desses falsos amigos que tu pensas ter está por perto para aconselhar? Culpa de ti e da outra que te fez acreditar que eras perfeita demais para ser leal aos outros. Imaginava que aos dezenove teria tantos amigos e ao final de tudo não conseguiu manter nenhum. Pára de reclamar, Fernanda. Aqui se faz, aqui se paga.
Como geralmente tenho muito tempo para pensar bobagem dentro das mais variadas linhas de ônibus de Porto Alegre, às vezes acabo tendo pequenos lapsos de autoconhecimento dentro do transporte público. Hoje foi uma dessas vezes. Passei mentalmente por todos os últimos acontecimentos com a velocidade em que se pensa nesse tipo de coisa uma vez que está tudo assimilado. Ok, definitivamente deu merda. Mas havia eu sido mais feliz nos momentos que antecederam o desmoronamento? Antes de todo(s) esse(s) azedume(s) (que somados, diga-se de passagem, tomaram-me meio ano), havia razão para se sorrir. Naquele momento eu voltei a rir. Pesar as possíveis consequências para quê? Quando se tem menos de 20 anos e praticamente um mundo inteiro de loucuras pra se cometer, o que vai te parar? Então 2010 vai ser assim: a bem das pequenas felicidades, não calcular. Aproveitar sempre a parte boa. Na maioria das vezes já se sabe que vai tudo dar errado mesmo.